Governo avalia medidas para combater alta nos preços dos alimentos
Reunião no Palácio do Planalto focou em alternativas como redução de tarifas de importação e reformulação de vales-alimentação
Reunião no Palácio do Planalto focou em alternativas como redução de tarifas de importação e reformulação de vales-alimentação/Diogo Santana Nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu uma reunião de mais de duas horas com seus ministros no Palácio do Planalto, com o objetivo de discutir soluções para a crescente alta nos preços dos alimentos. Embora não tenham sido definidas medidas concretas, o governo está considerando alternativas que incluem a redução de alíquotas de importação de produtos que são mais caros no Brasil, mas mais acessíveis no mercado internacional, além de mudanças no modelo de vales-refeição e alimentação.
Durante a coletiva de imprensa, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) apresentaram um panorama detalhado, com dados do Ministério da Fazenda, liderado por Fernando Haddad. Entre os tópicos discutidos estavam a evolução dos preços de commodities como café, milho e soja, bem como a expectativa de uma supersafra em 2025.
Rui Costa enfatizou que os preços dos alimentos estão intimamente ligados ao mercado internacional e à variação cambial. Ele projetou um aumento de 8% na produção agrícola em geral para 2025, destacando que a produção de arroz deve crescer 13%. O ministro também ressaltou que a orientação de Lula é priorizar o apoio a produtores por meio de crédito acessível e focar na oferta de alimentos da cesta básica.
Possíveis Medidas em Análise
Entre as alternativas em discussão, está a redução das tarifas de importação para produtos que têm custos elevados no mercado interno. “A ideia é diminuir a taxa para os produtos mais caros aqui e mais baratos lá fora”, explicou Costa. Ele lembrou que, no primeiro semestre de 2024, o governo já havia zerado as tarifas de importação de dois tipos de arroz em resposta às enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul, responsável por 70% da oferta nacional do grão.
Outra proposta em avaliação refere-se às taxas cobradas por administradoras de cartões de vale-refeição e alimentação. Rui Costa mencionou que o governo estuda a possibilidade de “reduzir substancialmente” as tarifas que, em alguns casos, podem chegar a até 15%. Essa medida visa assegurar que os trabalhadores recebam uma maior parcela do benefício.
Na quinta-feira (23), Haddad destacou que o governo está analisando a regulamentação da Lei 14.422, que modificou o Programa de Alimentação do Trabalhador, permitindo a portabilidade dos vales e possibilitando que os trabalhadores escolham a empresa gestora dos tíquetes. Para Haddad, essa maior concorrência entre as administradoras pode contribuir para a redução das taxas cobradas.
Impacto nas Famílias de Baixa Renda
A alta nos preços dos alimentos continua a impactar especialmente as famílias de baixa renda, com itens como carnes, ovos, óleo de soja e café pressionando o orçamento doméstico. De acordo com o governo, alimentos e bebidas foram os principais responsáveis pelo aumento da inflação em dezembro de 2024, e essa tendência deve persistir ao longo de 2025.



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