Dólar Cede Terreno em Meio a Dados Econômicos Globais e Repercussões do Tarifaço de Trump
Real se fortalece com inflação americana sob controle, PIB chinês robusto e reação brasileira a tarifas de Trump.
Moeda norte-americana fechou o dia em queda de 0,46%, negociada a R$ 5,558. Getty Images O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (15/7) em queda, cotado a R$ 5,558, influenciado por um cenário econômico global dinâmico e pelas repercussões do tarifaço comercial imposto pelo governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump. A moeda americana recuou 0,46%, após atingir uma máxima de R$ 5,603 e uma mínima de R$ 5,535 ao longo do dia. Apesar da queda, o dólar acumula ganhos de 2,3% em julho, mas registra perdas de 10,1% no acumulado de 2025.
No cenário internacional, os investidores acompanharam de perto a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram em linha com as expectativas do mercado, e do Produto Interno Bruto (PIB) da China, que surpreendeu positivamente. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA ficou em 2,7% em junho (base anual) e 0,3% (comparação mensal), reforçando as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) poderá iniciar um ciclo de cortes de juros em setembro.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China, por sua vez, avançou 5,2% no segundo trimestre de 2025, superando as projeções do mercado. O resultado demonstra a resiliência da economia chinesa diante das tensões comerciais globais.
No Brasil, o governo federal tem demonstrado uma postura mais firme em relação ao tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou a possibilidade de solicitar a extensão do prazo de negociações e reforçou que o governo trabalhará para reverter a sanção comercial. Além disso, o mercado reagiu positivamente a sinais de uma possível flexibilização na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), encerrou o pregão próximo da estabilidade, com baixa de 0,04%, aos 135,2 mil pontos. No acumulado do mês, a Bolsa brasileira registra baixa de 2,57%, mas acumula alta de 12,48% no ano.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a queda do dólar reflete tanto o cenário internacional quanto fatores domésticos. "O principal catalisador foi a divulgação de dados da inflação ao consumidor nos EUA, que, ao virem em linha com as projeções, solidificaram as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar um ciclo de cortes de juros em setembro", explica.



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