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São Miguel dos Campos,27/10/2026

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PF e CGU deflagram Operação Hefesto contra esquema de fraude em kits de robótica em 43 prefeituras de Alagoas

Força-tarefa cumpriu 27 mandados de busca e apreensão e duas prisões temporárias; fraudes em licitações com verbas do FNDE geraram prejuízo de R$ 8,1 milhões e risco de sobrepreço de quase R$ 20 milhões.


PF e CGU deflagram Operação Hefesto contra esquema de fraude em kits de robótica em 43 prefeituras de Alagoas Força-tarefa cumpriu 27 mandados de busca e apreensão e duas prisões temporárias/ Ilustração

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

27/10/2026 08h25 · Atualizado há instantes

A Polícia Federal (PF), em atuação conjunta com a Controladoria Regional da União em Alagoas (CGU/AL), deflagrou a Operação Hefesto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes licitatórias, superfaturamento e lavagem de capitais. O esquema atingiu contratos públicos em 43 municípios alagoanos.

A mobilização contou com o emprego de mais de 110 policiais federais e 13 auditores da CGU, responsáveis pelo cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária. As medidas cautelares foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Alagoas.

Direcionamento de editais e verbas do FNDE

Conforme os levantamentos dos órgãos de controle, as irregularidades ocorreram entre 2019 e 2022. O grupo atuava direcionando processos licitatórios, contratos administrativos e adesões a Atas de Registro de Preços ("caronas") para favorecer com exclusividade uma única empresa fornecedora de kits e equipamentos de robótica pedagógica. As compras eram custeadas com recursos federais descentralizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

As apurações demonstraram a inserção deliberada de exigências técnicas restritivas nos termos de referência dos certames, inviabilizando a concorrência de outros fornecedores. Relatórios da CGU indicam um dano efetivo consumado de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos, além de um risco potencial de superfaturamento estimado em cerca de R$ 19,8 milhões.

Por determinação judicial, foram executados o sequestro e o bloqueio de ativos financeiros, veículos e imóveis dos investigados até o montante de R$ 8,1 milhões, bem como a rescisão cautelar e a suspensão imediata de todos os contratos vigentes da empresa com as gestões municipais.

Lavagem de dinheiro com saques fracionados

A movimentação financeira examinada pelos investigadores revelou a utilização de pessoas interpostas ("laranjas") e empresas de fachada sem respaldo patrimonial ou vínculo com o comércio educacional e de tecnologia.

Com a finalidade de contornar os sistemas de monitoramento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central, a organização criminosa pulverizava valores ilícitos por meio de retiradas em moeda física e transferências bancárias sistemáticas em quantias abaixo do gatilho regulatório de R$ 50 mil.

Raio de ação dos mandados

As diligências foram deflagradas simultaneamente em cinco unidades federativas:

  • Maceió (AL): 16 mandados de busca e apreensão;

  • Brasília (DF): 8 mandados de busca e apreensão e 2 mandados de prisão temporária;

  • Gravatá (PE): 1 mandado de busca e apreensão;

  • São Carlos (SP): 1 mandado de busca e apreensão;

  • Goiânia (GO): 1 mandado de busca e apreensão.

O nome da operação remete a Hefesto, figura da mitologia grega associada à tecnologia, aos metais e à forja, numa referência direta ao fornecimento dos kits robóticos que serviram de instrumento para os desvios.




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