Partido Democrata conquista maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato nos EUA
Oposição impõe dura derrota legislativa a Donald Trump, vencendo em redutos históricos republicanos como Texas e Carolina do Sul; presidente afirma que pretende trabalhar com o novo Congresso.
Oposição impõe dura derrota legislativa a Donald Trump, vencendo em redutos históricos republicanos como Texas e Carolina do Sul/ Casa Branca Por Redação / Portal Alagoas NTTV
04/11/2026 08h40 · Atualizado há instantes
O Partido Democrata obteve uma vitória expressiva e reconquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato (midterms), realizadas nesta terça-feira (3), segundo projeções consolidadas da imprensa norte-americana. O desfecho impõe uma contundente derrota política ao presidente republicano Donald Trump e altera profundamente o equilíbrio de forças em Washington pelo restante de seu mandato.
Com a apuração das cédulas ainda em andamento nas primeiras horas desta quarta-feira (4), os democratas já asseguraram 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, superando com folga o número necessário para formar maioria, contra 139 confirmadas até o momento para o Partido Republicano. No Senado, a bancada democrata garantiu ao menos 54 dos 100 assentos, invertendo a correlação de poder na Casa Alta.
Reação de Trump e cenário pós-eleitoral
Diante do indicativo de revés expressivo, Donald Trump utilizou suas redes sociais para amenizar o impacto, alegando que seu próprio nome não figurava nas cédulas e que, caso disputasse a eleição, sua sigla teria vencido "de lavada".
Contudo, em entrevista ao The New York Times, o mandatário adotou tom mais conciliador:
"Vamos trabalhar com os democratas e, sabe, estamos ansiosos para trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento", declarou Trump, ressaltando estar "absolutamente disposto a aceitar esses resultados".
Analistas apontam que o histórico desfavorável ao partido que ocupa a Casa Branca em eleições de meio de mandato pesou fortemente contra os republicanos. A avaliação de Trump registrava patamares baixos, pressionada pela insatisfação popular com a escalada nos preços dos combustíveis, a inflação acumulada e o desgaste geopolítico gerado pela ação militar contra o Irã em fevereiro deste ano.
Viradas históricas no Senado
Apesar da margem estreita projetada inicialmente, o Partido Democrata emplacou vitórias emblemáticas em estados tradicionalmente dominados pelos republicanos:
Texas: O democrata James Talarico (37 anos) desbancou o procurador-geral republicano Ken Paxton, mesmo diante de volumosas doações financeiras de centenas de milhões de dólares recebidas pelo adversário do bilionário Elon Musk. A conquista encerra décadas de hegemonia republicana na vaga texana ao Senado.
Carolina do Sul: Annie Andrews protagonizou a maior surpresa do pleito ao bater Darline Graham, elegendo o primeiro democrata para o Senado no estado desde 1998.
Ohio e Kansas: O democrata Sherrod Brown superou Jon Husted em Ohio, enquanto Adam Hamilton bateu Roger Marshall no Kansas, derrotando republicanos que concorriam à reeleição.
Iowa: O democrata Josh Turek derrotou a republicana Ashley Hinson na disputa pela cadeira que pertencia a Joni Ernst, que optou por não concorrer.
Carolina do Norte: O ex-governador democrata Roy Cooper venceu Michael Whatley, apoiado formalmente por Trump, tirando uma cadeira que pertencia aos republicanos.
New Hampshire: O deputado democrata Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John Sununu, tornando-se o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado dos Estados Unidos.
Monitoramento federal e atrasos na contagem
O processo eleitoral foi marcado por problemas técnicos em equipamentos eletrônicos de leitura de cédulas em condados de Nova York, Geórgia, Iowa e Mississippi, o que ocasionou longas filas de votantes e lentidão na transmissão de dados. Especialistas ressaltaram que planos de contingência mantiveram a higidez do processo.
Em paralelo, a mobilização de cerca de 1.000 fiscais e observadores federais pelo Departamento de Justiça em todos os 50 estados gerou fortes questionamentos da oposição. Democratas criticaram a operação, apontando risco de intimidação eleitoral, sobretudo após levantamento da agência Reuters revelar que cerca de dois terços das zonas fiscalizadas registraram vitória democrata no pleito presidencial de 2024.



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