Polícia Civil investiga se assassino de Marileide Lopes mentiu para encobrir cúmplices
Confissão de asfixia é desmentida por laudo que aponta morte por arma branca; falta de sangue na cena do crime e documentos falsos encontrados na casa do autor mudam o rumo do inquérito em São Miguel dos Campos.
Polícia Civil investiga se assassino de Marileide Lopes mentiu para encobrir cúmplices SÃO MIGUEL DOS CAMPOS – O que era tratado como um feminicídio de autoria confessa e dinâmica esclarecida tornou-se um complexo quebra-cabeça para a Polícia Civil de Alagoas. A equipe do Delegado Roberto Batista, titular de São Miguel dos Campos, trabalha agora para desvendar as lacunas deixadas pelo depoimento de Álvaro Galvão Henrique, de 25 anos, cujas declarações colidem frontalmente com as evidências periciais.
A Farsa da Confissão
Em seu depoimento inicial, Álvaro detalhou que teria assassinado a cabeleireira Marileide Lopes, de 42 anos, por asfixia, utilizando uma corda (ou rede). Segundo ele, o ato teria sido solitário e motivado por ciúmes. Entretanto, o Portal AlagoasNTTv apurou que a Certidão de Óbito e a Guia de Sepultamento trazem um diagnóstico clínico devastador para a versão do autor: Hemorragia interna aguda provocada por instrumento pérfuro-cortante.
O laudo preliminar indica que Marileide foi esfaqueada múltiplas vezes, apresentando ferimentos profundos no pescoço e sinais de resistência nos braços e punhos. "A ciência não mente. Se o laudo aponta arma branca e o autor fala em asfixia, ele está tentando ocultar a verdadeira face da agressão ou protegendo alguém", afirma uma fonte ligada à investigação.
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O Mistério da "Cena Limpa"
Outro ponto que intriga os investigadores é a ausência de vestígios biológicos. Durante a perícia técnica na residência indicada por Álvaro como o local do crime, os peritos da Polícia Científica não encontraram manchas de sangue.
Para especialistas, é fisicamente improvável que um assassinato por esfaqueamento, que resultou em hemorragia aguda, não tenha deixado rastros. Essa inconsistência levanta duas hipóteses críticas:
- O crime ocorreu em um local diferente do indicado;
- Houve uma limpeza profissional da cena, sugerindo a participação de terceiros.
Conexões Obscuras e Documentação Falsa
Durante o final de semana, buscas na residência do suspeito revelaram um "arsenal" de documentos falsificados. Foram encontrados RGs e CPFs com nomes trocados e informações incompletas. A polícia investiga se Álvaro possui ligações com criminosos do sistema prisional e se essa rede de apoio teria auxiliado na ocultação do corpo no canavial em Roteiro.
Palavra do Delegado
O Delegado Roberto Batista foi enfático ao declarar que a linha de investigação agora considera a pluralidade de autores. "A partir desses elementos, a gente pode sim considerar que existia, na verdade, mais de um autor para essa empreitada criminosa", pontuou o delegado. Batista ressaltou que o sigilo é fundamental neste momento para garantir a eficácia das prisões que podem ocorrer nos próximos dias.



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