Duas semanas antes de ser preso, influenciador PTK ironizou em live: "Se eu fosse envolvido, já estaria preso"
Declaração foi dada em maio; investigações da Operação Morro do Alemão revelam áudios onde o líder do Comando Vermelho exige "um representante nosso" na política alagoana.
Influenciador é investigado por suposta relação com o Comando Vermelho. Reprodução “Se eu fosse envolvido com alguma coisa, tenho certeza de que já estaria preso.” Essa frase, dita em tom de desabafo e segurança pelo influenciador digital Patrick Almeida, o "PTK", no dia 20 de maio de 2026, transformou-se em uma amarga ironia exatamente duas semanas depois. O criador de conteúdo, que acumula mais de 180 mil seguidores nas redes sociais, foi preso pelas forças de segurança de Alagoas na manhã desta quarta-feira (3), acusado de ser a peça-chave de um plano do Comando Vermelho para infiltrar o crime organizado na política do estado.
Durante a live realizada em maio, na qual também discutia suas pretensões de se lançar como pré-candidato a deputado federal, PTK foi confrontado por internautas sobre boatos de que integraria facções criminosas ou se já havia recebido convites de grupos armados.
Na ocasião, ele negou qualquer envolvimento ilícito e justificou sua proximidade com criminosos devido às suas origens. “Nunca [integrei]. Quem é da favela sabe que todo mundo conhece todo mundo. Agora, cada um escolhe a sua vida e o caminho que quer seguir. Eu escolhi o meu: cortar meus cabelinhos, a minha trajetória, vendendo as minhas roupas. A internet me ajudou a vencer. Até porque, se eu fosse envolvido com alguma coisa, tenho certeza de que já estaria preso”, declarou.
Áudio Interceptado Desfaz a Versão
A linha de defesa apresentada pelo influenciador na internet ruiu diante das provas técnicas apresentadas pela Polícia Civil de Alagoas. De acordo com a corporação, interceptações telefônicas e telemáticas autorizadas pela Justiça capturaram diálogos diretos e comprometedores entre PTK e o traficante "Nem Catenga" — apontado como o principal chefe do Comando Vermelho com atuação em Alagoas, atualmente escondido em um complexo de favelas no Rio de Janeiro.
Os áudios obtidos pela Operação Morro do Alemão revelam que o plano de colocar PTK em uma cadeira na Câmara Federal era orquestrado diretamente pela cúpula da facção. Nas mensagens analisadas pelos investigadores da DRACCO, Nem Catenga é categórico ao afirmar que a organização criminosa precisava fortalecer urgentemente sua representação política no Nordeste e passar a contar com pessoas de sua inteira confiança ocupando espaços eletivos de poder.
Em um dos trechos mais contundentes do inquérito, o líder criminoso declara textualmente que o Comando Vermelho necessitava de um “representante nosso” para blindar o território e garantir a continuidade e expansão das atividades da facção. PTK segue custodiado em Maceió, e a polícia analisa os materiais apreendidos nos 30 mandados de busca e apreensão realizados de forma integrada entre Alagoas e o Rio de Janeiro.



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