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São Miguel dos Campos,04/06/2026

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Quem é "Nem Catenga", o chefe do Comando Vermelho que comanda o tráfico em Maceió direto do Rio de Janeiro

Com histórico familiar no crime e preso pela primeira vez em 2008, traficante gerencia rotas de fuzis direto do Complexo do Alemão e articulou candidatura de influencer alagoano.

nttv.com.br
Quem é José Emerson da Silva, conhecido como Nem Catenga. Redes Sociais
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A deflagração da "Operação Morro do Alemão" nesta quarta-feira (3) trouxe novamente para o centro dos holofotes da Segurança Pública de Alagoas o nome de José Emerson da Silva, amplamente conhecido no submundo do crime como "Nem Catenga". Foragido da Justiça há vários anos e residindo no Rio de Janeiro, ele é apontado pelos relatórios de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) como uma das principais e mais perigosas lideranças criminosas com atuação ativa na capital alagoana.

Segundo as investigações, Nem Catenga fincou bases no Complexo do Alemão, em território fluminense, onde firmou uma forte aliança com a cúpula da facção Comando Vermelho (CV). De lá, utilizando ferramentas tecnológicas e intermediários, ele coordena de forma remota o tráfico de drogas, execuções e a logística de armamentos pesados em bairros estratégicos da parte baixa de Maceió, com destaque para a Levada, Cambona e Vila Brejal.

Berço no Crime Organizado

A trajetória de José Emerson no crime não é recente. A polícia aponta que ele integra uma família historicamente associada ao crime organizado em solo alagoano. O clã foi liderado inicialmente por seu pai, José Júlio de Oliveira, conhecido como "Zé Moreno". O irmão de Nem Catenga, Adriano Oliveira dos Santos, o "Caetano", foi considerado por anos um dos assaltantes e criminosos mais procurados de Alagoas, vindo a morrer em um confronto com as forças policiais no ano de 2016.

A primeira prisão de Nem Catenga ocorreu no ano de 2008. Após acumular diversas passagens pelo sistema prisional alagoano e ganhar a liberdade, ele fugiu para o Rio de Janeiro, onde conseguiu ascender na hierarquia do Comando Vermelho e consolidar sua forte influência.

Fuzil na Máquina de Lavar e Arsenal de R$ 1,4 Milhão

A certeza de que Nem Catenga continuava operando rotas de armas entre o Sudeste e o Nordeste ganhou materialidade em julho de 2024. Em uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), os militares apreenderam um fuzil calibre 5.56 que cruzou o país escondido dentro de uma máquina de lavar roupas. A análise de celulares apreendidos revelou que a arma foi enviada do Rio por ordem expressa do traficante.

Já em 2025, uma nova investida das forças de segurança desmantelou um arsenal do seu grupo criminoso avaliado em cerca de R$ 1,4 milhão, composto por fuzis, submetralhadoras, espingardas, munições e grande quantidade de entorpecentes.

Tentativa de Invasão Política

O capítulo mais recente de sua ficha criminal envolve a tentativa de expandir os negócios do Comando Vermelho para o campo institucional. Interceptações telefônicas revelaram que Nem Catenga foi o mentor intelectual da carreira política do influenciador digital Patrick Almeida, o PTK, preso nesta quarta-feira. Nas gravações, o traficante exigia a necessidade de colocar "um representante nosso" em espaços de poder, financiando a pré-candidatura do jovem a vereador em 2024 e, agora, a deputado federal para as eleições de 2026.


Atualmente, Nem Catenga possui uma extensa coleção de mandados de prisão em aberto e responde por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Sua captura é tratada como prioridade absoluta pela cúpula da Segurança Pública de Alagoas.

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