Homem adotado na feira de São Miguel dos Campos em 1971 busca mãe biológica e emociona a web em entrevista
Sem saber o nome ou paradeiro da genitora, Seu Antônio João da Silva, morador do Pontal da Barra, faz apelo comovente; relato aponta que ele foi entregue a um cavaleiro após pressão familiar.
Antônio João da Silva, de 53 anos, e sua esposa, Ivonete de Oliveira Andrade - Foto: Emerson Tiago Uma história de profunda sensibilidade e busca por identidade mobilizou o público e os bastidores da política e da assistência social neste início de semana. O repórter Emerson Tiago entrevistou, direto da Praça da Matriz, em São Miguel dos Campos, o casal Antônio João da Silva, de 53 anos, e sua esposa, Ivonete de Oliveira Andrade, moradores do tradicional bairro do Pontal da Barra, em Maceió. O motivo do encontro foi o lançamento de uma campanha humanitária para localizar a mãe biológica de Seu Antônio, de quem ele foi separado ainda recém-nascido, há mais de cinco décadas.
O caso, ocorrido no ano de 1971, é repleto de nuances dramáticas. De acordo com o relato do próprio Seu Antônio — que trabalha como padeiro há 28 anos na capital —, seu nascimento ocorreu em São Miguel dos Campos em 18 de junho de 1971. Na época, sua mãe biológica era uma adolescente de aproximadamente 15 anos que residia na zona rural, com indícios de ligação ao Sítio Cariri. Sob forte pressão psicológica da própria mãe (avó de Antônio), que não aceitava a gravidez da jovem, a adolescente foi levada ao antigo Mercado da Produção local. No local, chorando, ela entregou o bebê nos braços de um homem que passava montado a cavalo, identificado posteriormente como João de Carvalho, que o acolheu e o criou como filho adotivo.
Com o falecimento recente de seus pais de criação, Seu Antônio viu-se diante de um vazio familiar que despertou o desejo latente de conhecer suas origens. Sua esposa, Dona Ivonete, relatou com tristeza o impacto emocional da ausência na rotina do marido. "De vez em quando eu pego ele chorando. Eu queria encontrar minha mãe. Isso dói. Eu sou mãe, sou avó e sou bisavó já. Que dor essa mãe, até hoje, se tiver viva, não está sofrendo por causa desse filho que foi obrigado a dar numa feira?", desabafou, revelando ser a principal incentivadora da busca.
As projeções indicam que, se estiver viva, a mãe biológica de Seu Antônio deve ter hoje por volta de 70 anos de idade. Apesar de não possuírem fotografias, nomes, apelidos ou documentos que facilitem o rastreamento, o casal aposta no poder de alcance das mídias digitais para tocar o coração de algum morador antigo da região ou de possíveis irmãos biológicos que conheçam essa história. "É o sonho da minha vida encontrar minha mãe. Quem conhecer e ela tiver viva, manda entrar em contato. Eu vou perdoar ela como um filho. Quero dar um abraço, um cheiro e o maior carinho para a minha mãe e meus irmãos do sangue dela", declarou o padeiro, emocionado, sinalizando que está disposto a realizar exames de DNA e dar total suporte financeiro e habitacional para a genitora em Maceió.



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