Crise familiar e foco em Bolsonaro: Michelle deixa a presidência nacional do PL Mulher nesta terça (30)
Ex-primeira-dama alegou cansaço e foco total na família após atrito público com Flávio Bolsonaro; Valdemar Costa Neto emitiu nota oficial justificando a saída.
Michelle Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (ao fundo) Foto: Cristiano Mariz/O Globo O cenário político nacional e os bastidores do Partido Liberal (PL) foram sacudidos na tarde desta terça-feira (30/06). O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, confirmou formalmente o desligamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do cargo de presidente nacional do PL Mulher. Conforme o comunicado partidário, a decisão partiu da própria Michelle, que manifestou o desejo de se afastar do comando para redirecionar suas atividades e focar na assistência direta ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os documentos oficiais anexados à decisão, trazem o posicionamento assinado por Valdemar. No texto, o dirigente elogiou o desempenho de Michelle à frente da ala feminina e destacou que ela enfrenta um período complexo ao acompanhar o que chamou de "injustiças e angústias" direcionadas a Bolsonaro, a quem classificou como o "maior líder da história recente deste país".
Rachas Internos e Atrito Familiar
Apesar de a justificativa oficial estar centrada nos cuidados com o ex-presidente e com a filha, a saída ocorre em meio a uma forte turbulência interna no clã Bolsonaro. Recentemente, Michelle publicou um vídeo no qual declarou ter sido "humilhada" e "apunhalada" por seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Fontes ligadas à cúpula do partido relataram que a ex-primeira-dama se encontra emocionalmente "esgotada" devido à exposição do conflito familiar e político. O mal-estar gerou boatos imediatos sobre uma suposta desistência de sua pré-candidatura ao Senado Federal, mas, até o momento, Michelle não emitiu nenhuma sinalização formal de recuo em suas pretensões eleitorais.
Valdemar Minimiza Conflitos e Ataca Governo
Na nota oficial, Valdemar Costa Neto buscou arrefecer os rumores de crise interna, justificando que o crescimento acelerado da legenda naturalmente impulsiona o surgimento de divergências entre suas lideranças. "O PL cresceu demais, e eu entendo que as divergências crescem também. É natural isso. Temos muitos líderes no partido e, por mais que sejam divergências, o que nos une é muito maior", pontuou o dirigente.
O presidente da sigla aproveitou o palanque do comunicado para subir o tom contra a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valdemar qualificou como "inadmissível" a marca de 80 milhões de brasileiros endividados e o suposto avanço de células extremistas em território nacional. O PL informou que ainda estuda nomes para definir quem assumirá o posto vago no comando do PL Mulher.



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