Relatório do Uruguai aponta facções brasileiras como “escola criminal” no país e confirma 51 membros do PCC presos
Documento do Ministério do Interior uruguaio apresentado ao Mercosul detalha a influência do PCC e de facções gaúchas dentro e fora dos presídios locais.
Ministério da Justiça do Uruguai / MJU Por Portal AlagoasNT TV — Redação
22/09/2026 12h06 Atualizado há 1 minuto
Um relatório de inteligência do Ministério do Interior do Uruguai, apresentado ao Mercosul e divulgado pelo jornal uruguaio El País, revelou que organizações criminosas brasileiras atuaram como uma espécie de “escola criminal” no país vizinho. Segundo o levantamento, métodos de atuação utilizados por grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram assimilados por criminosos uruguaios — entre eles Sebastián Marset — e vêm sendo replicados por clãs e facções locais.
O documento aponta que 88 integrantes de organizações criminosas brasileiras estão atualmente detidos no sistema prisional uruguaio. O PCC lidera a estatística com 51 membros presos, seguido por facções originárias do Rio Grande do Sul e áreas de fronteira.
Mapeamento dos Criminosos Brasileiros Presos no Uruguai
A distribuição dos integrantes de facções brasileiras custodiados em unidades prisionais uruguaias está dividida da seguinte forma:
Primeiro Comando da Capital (PCC): 51 integrantes
Os Manos (RS): 19 integrantes
Primeiro Comando da Fronteira (PCF): 9 integrantes
Os Tauras: 7 integrantes
Bala Na Cara (RS): 2 integrantes
O "Sistema do Uruguay" e a Expansão Territorial
A Polícia uruguaia monitora formalmente a presença do PCC nos presídios do país desde 2023. Um dos principais marcos da investigação ocorreu em 11 de maio de 2025, durante uma revista na Prisão de Libertad, quando agentes apreenderam um celular contendo o grupo de WhatsApp intitulado “Sistema do Uruguay”.
O grupo contava com oito membros e revelou estatutos, regulamentos internos, códigos de conduta e rotas de atuação da facção paulista dentro e fora dos estabelecimentos penais.
Além do PCC, outras facções brasileiras mantêm atuação estratégica em solo uruguaio:
Os Manos: Domina a região de fronteira (com forte presença em Rivera) desde 2017, após disputas violentas com a facção Bala Na Cara. É considerada a maior estrutura criminosa do Rio Grande do Sul.
Primeiro Comando da Fronteira (PCF): Teve atuação confirmada em 2025. O grupo expandiu operações da fronteira em direção ao departamento de Maldonado e aos bairros Manga, Nuevo Capra e Los Sueños, na capital Montevidéu.
Convocação Ministerial e Reação Política
A repercussão do relatório gerou forte reação na política uruguaia. Membros da oposição, representados pelo Partido Nacional (Blancos), convocaram o ministro do Interior, Carlos Negro, para prestar depoimento na Comissão de Segurança e Convivência da Câmara dos Representantes.
O deputado Pablo Abdala classificou as revelações como “bastante novedosas” e cobrou esclarecimentos sobre o avanço das facções sul-americanas, a presença citada de mafiosos albaneses, montenegrinos e sérvios no país, e a execução do Plano Nacional de Segurança Pública.
O relatório foi elaborado pela Unidade de Investigação e Análise Penitenciária da Polícia uruguaia e submetido ao Grupo de Trabalho Especializado para o Combate às Organizações Criminosas do Mercosul.
O Portal AlagoasNT TV segue acompanhando os desdobramentos sobre a segurança e o combate ao crime organizado na América Latina.



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