PF cumpre mandados contra o cantor Alexandre Pires e empresários na Operação Disco de Ouro II
Operação investiga organização criminosa suspeita de lavar dinheiro oriundo da comercialização de cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.
Cantor é investigado por suposto envolvimento no esquema/ Divulgação Por Portal AlagoasNT TV — Redação
23/09/2026 10h53 Atualizado há 1 minuto
O cantor Alexandre Pires e os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon foram alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quarta-feira (23). A ação faz parte da Operação Disco de Ouro II, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de praticar crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira ligados ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Ao todo, a Justiça Federal expediu 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e valores. Não foram emitidos mandados de prisão nesta fase. As buscas contra o cantor foram realizadas em sua residência e na sede de sua produtora musical, localizadas no município de Uberlândia (MG), com o intuito de apreender mídias eletrônicas, documentos e bens.
Envolvimento do Núcleo Financeiro e Valores Mapeados
De acordo com as investigações da PF, Alexandre Pires era empresariado por Matheus Possebon — irmão de Diego Possebon, apontado como o operador central e líder da organização. O artista e sua empresa foram incluídos pelas autoridades no Núcleo Financeiro do esquema.
A suspeita é de que as contas do cantor e de sua produtora tenham sido utilizadas para fracionar, ocultar e dissimular a origem de recursos ilícitos derivados da venda de minério. Os relatórios financeiros indicam que a empresa de Alexandre Pires recebeu R$ 4.434.050,00 vindos de contas ligadas ao grupo, dentro de um fluxo financeiro cruzado que alcança R$ 31.035.050,00.
Entenda Como Funcionava a Fraude e a Exportação
A organização criminosa atuava na extração ilegal de cassiterita — minério valioso conhecido como "ouro negro" — do território indígena. Para "esquentá-lo" (dar aparência legal), o grupo utilizava licenças de lavra garimpeira falsas emitidas no município de Itaituba (PA).
Após apreensões da PF que somaram mais de 100 toneladas do minério e cerca de 1 kg de ouro em Roraima, o grupo ficou sem estoque para cumprir um contrato de fornecimento internacional com uma empresa da Suíça. Para manter o recebimento de pagamentos antecipados, os investigados simularam o envio de cargas em galpões de Manaus (AM), despachando areia e pó de brita com laudos químicos adulterados, gerando um prejuízo estimado em US$ 48 milhões à compradora estrangeira.
O dinheiro oriundo das fraudes era pulverizado por meio de operações clandestinas de dólar-cabo, contratos fictícios e transferências para familiares, intermediários e empresas sem relação com o setor de mineração.
O Portal AlagoasNT TV segue acompanhando o desenrolar das investigações da Polícia Federal.



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