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São Miguel dos Campos,15/10/2026

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Estudante iraniana de 23 anos é condenada à morte por publicações em redes sociais acusadas de blasfêmia, no Irã

Najmeh Amini está presa em Mashhad e também recebeu pena de mais de 12 anos de reclusão; em áudio vazado da prisão, jovem clama por ajuda à ONU e a entidades globais.


Estudante iraniana de 23 anos é condenada à morte por publicações em redes sociais acusadas de blasfêmia, no Irã Najmeh Amini está presa em Mashhad e também recebeu pena de mais de 12 anos de reclusão/ Reprodução Redes Sociais

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

15/10/2026 10h01 · Atualizado há alguns minutos

A jovem estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à morte pelo Poder Judiciário do Irã sob a acusação de blasfêmia por postagens veiculadas em suas redes sociais. A sentença foi emitida em 16 de setembro de 2026, mas os detalhes do caso ganharam repercussão internacional recentemente. A decisão ainda é passível de recurso junto à Suprema Corte do país.

Najmeh permanece encarcerada na penitenciária de Vakilabad, localizada na cidade de Mashhad, no nordeste iraniano. Paralelamente à pena capital, a jovem foi sentenciada a cumprir 12 anos, seis meses e um dia de reclusão, sob a acusação de atentar contra a segurança nacional e disseminar propaganda contrária ao regime teocrático.

Acusação formal e apelo internacional

A determinação da pena de morte baseou-se na acusação de injúria ao profeta Maomé, conduta tipificada na legislação penal iraniana como "sab ol-nabi". Pelo ordenamento jurídico do país, insultos dirigidos a Maomé ou a figuras sagradas do islamismo xiita preveem a execução sumária por meio da pena capital.

Em um registro de áudio gravado clandestinamente no interior do presídio em setembro de 2026, Najmeh fez um clamor público endereçado à Organização das Nações Unidas (ONU), advogados e ativistas de direitos humanos:

"Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos", desabafou a estudante no áudio que vazou da penitenciária.

Tese da defesa e recusa do tribunal

A defesa técnica de Najmeh sustentou perante a Justiça que as mensagens publicadas na internet consistiram em um "deslize verbal" ocorrido durante um episódio de alucinação, provocado pelo consumo involuntário de cogumelos alucinógenos durante uma reunião social entre amigos.

O juiz responsável pela ação rejeitou o argumento defensivo. Em sua manifestação durante o julgamento, o magistrado questionou por que a acusada, mesmo supostamente sob efeito de substâncias alucinógenas, não proferiu ofensas contra cidadãos comuns ou contra adversários históricos do regime de Teerã, como os Estados Unidos e Israel.

Contexto da prisão e escalada de penas capitais

A jovem foi presa em 31 de janeiro de 2026, no centro de compras Ferdowsi, em Mashhad, durante uma intensa onda de manifestações sociais que tomou diversas províncias iranianas. De acordo com a agência de notícias de direitos humanos Hrana, a detenção ocorreu com emprego de violência física pelas forças de segurança antes do encaminhamento da estudante a Vakilabad.

Os protestos populares tiveram início no final de dezembro de 2025, impulsionados pela crise socioeconômica, desvalorização da moeda (rial) perante o dólar e avanço da inflação, movimento que começou entre comerciantes e recebeu a adesão de estudantes em contestação à República Islâmica.

Entidades globais manifestaram preocupação com o veredito. Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da organização Iran Human Rights (IHR), sediada em Oslo, classificou a condenação como um precedente de extrema gravidade para utilizar a pena de morte contra manifestações pacíficas em plataformas digitais. Segundo levantamento da entidade, o regime iraniano já executou mais de 600 pessoas durante o ano de 2026.




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