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São Miguel dos Campos,15/10/2026

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Premiê da Albânia rejeita renúncia após confrontos com estudantes em Tirana

Pelo terceiro dia consecutivo, manifestantes entram em choque com tropa de choque, que usou gás lacrimogêneo e jatos d’água; venda de áreas preservadas no litoral e custo da educação geram crise no país que busca entrar na UE.


Premiê da Albânia rejeita renúncia após confrontos com estudantes em Tirana Estudantes albaneses realizam protesto contra o governo em Tirana/ Reuters

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

15/10/2026 10h12 · Atualizado há alguns minutos

O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou formalmente, nesta quinta-feira (15), os pedidos para renunciar ao cargo em meio a uma forte escalada de protestos na capital, Tirana. Liderados por estudantes com rostos cobertos, milhares de manifestantes entraram em confronto direto com a tropa de choque da polícia pelo terceiro dia consecutivo, provocando destruição de prédios públicos, depredação de pontos de ônibus e queima de lixeiras no centro urbano.

Para conter os ativistas, que arremessaram pedras contra as forças policiais, as autoridades de segurança reagiram com jatos d'água pressurizada, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete, inclusive na emblemática Praça Skanderbeg, sob os olhares de turistas que visitavam o centro da capital. Diante do cerco aos prédios governamentais, o Parlamento albanês cancelou a sessão legislativa programada para a manhã desta quinta-feira.

Motivos da revolta: educação cara e resort de luxo

A insatisfação popular decorre da alta no custo de vida, precariedade na qualidade do ensino e denúncias recorrentes de corrupção sistêmica e favorecimento na concessão de empregos públicos e privados.

No entanto, o estopim da crise recente foi a celebração de um polêmico acordo estatal que cedeu áreas virgens e preservadas do litoral sul do país para a construção de um complexo hoteleiro e resort de luxo. O empreendimento é encabeçado e financiado pelo empresário norte-americano Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Jovens e grupos ambientalistas afirmam que manifestações pacíficas vinham sendo ignoradas pelo poder público ao longo de todo o verão europeu.

Posicionamento de Edi Rama e os planos de adesão à UE

Reeleito no ano passado para o quarto mandato, Edi Rama enfrenta a maior crise política de sua trajetória recente. Em declaração encaminhada à agência Reuters, o chefe de governo descartou qualquer hipótese de deixar o poder:

"Minha responsabilidade é ouvir, abordar as preocupações legítimas e manter a Albânia avançando. A alternativa seria uma traição aos albaneses que me deram um mandato sólido para concluir as negociações de adesão à União Europeia", declarou o premiê.

Rama afirmou estar disposto a debater as taxas e despesas ligadas ao setor educacional, mas enfatizou que "atacar instituições, destruir patrimônio público e ameaçar a segurança pública não tem nada a ver com as reivindicações legítimas dos estudantes".

A Albânia e Montenegro figuram como os países mais avançados na região dos Bálcãs nas tratativas para ingresso formal no bloco econômico europeu, com meta estipulada para 2028. No entanto, escândalos de corrupção administrativa e denúncias de lavagem de capitais do narcotráfico e de armamentos pesam negativamente perante a comunidade internacional. Em nota na rede social X, a representação da União Europeia em território albanês declarou que o "diálogo construtivo é o único caminho a seguir".

A onda de insatisfação estudantil albanesa coincide com tensões semelhantes em outros países da Europa, a exemplo da França, onde alunos e secundaristas vêm paralisando instituições de ensino em protesto contra a deterioração da infraestrutura escolar e a falta de docentes.




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