Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais que encobriram Manaus de fumaça
Força-tarefa lavrou 19 autos de infração e embargou 250 hectares nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea; Polícia Federal apura motivação criminosa e política nos focos que atingem o Amazonas.
As queimadas ilegais foram responsáveis por gerar densas nuvens de fumaça que comprometeram severamente a qualidade do ar na capital Manaus/ Chiristian Braga/Greenpeace Por Redação / Portal Alagoas NTTV
20/10/2026 11h25 · Atualizado há alguns minutos
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$ 2 milhões em sanções financeiras em decorrência de incêndios florestais criminosos registrados na Amazônia. As queimadas ilegais foram responsáveis por gerar densas nuvens de fumaça que comprometeram severamente a qualidade do ar na capital Manaus (AM) e municípios vizinhos ao longo das últimas semanas.
O balanço operacional dos últimos sete dias de incursões de campo aponta a lavratura de 19 autos de infração contra infratores ambientais, além do embargo sumário de 250 hectares de terras atingidas pelo fogo nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, ambos situados na Região Metropolitana de Manaus.
De acordo com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, vistorias técnicas vêm sendo realizadas para rastrear as coordenadas geográficas e responsabilizar os autores:
"Nossas equipes estão verificando áreas queimadas para identificar os responsáveis. São incêndios criminosos, feitos sem autorização de nenhum órgão. Em alguns casos, o fogo ultrapassou cercas e invadiu áreas públicas e outras propriedades. O trabalho deve seguir nos próximos dias, em uma ação coordenada com órgãos federais e estaduais para evitar novos incêndios", destacou o gestor.
Investigação sobre ação humana, pecuária e viés político
Entre os agentes federais e estaduais que atuam na linha de frente, há consenso de que a ignição do fogo tem origem quase que exclusivamente antrópica e intencional. As apurações, conduzidas de forma integrada com a Polícia Federal (PF), buscam identificar se há motivações econômicas desordenadas ou viés de articulação política por trás da onda de queimadas sincronizadas.
Em relatório divulgado após reunião emergencial realizada no último sábado (17) com a presença de membros do Ibama, Polícia Federal, Ministério Público do Estado e Polícia Civil, o procurador André Luiz Porreca, do Ministério Público Federal (MPF), enfatizou:
"A maioria deles [incêndios] tem natureza criminosa, conclusão extraída das características da vegetação das áreas atingidas. A maior parte desses incêndios está tradicionalmente relacionada à atividade pecuária, sem desconsiderar, contudo, outras motivações possíveis (inclusive de natureza política)", alertou o procurador.
No último domingo (18), o MPF formalizou requerimento cobrando a instalação, no prazo improrrogável de até 72 horas, de uma Sala de Situação Interfederativa em Manaus, além da formação de uma força-tarefa permanente e da suspensão completa de qualquer autorização de queima controlada no estado.
Prisões, dados do Inpe e mobilização ministerial
No sábado (17), a Polícia Militar do Amazonas efetuou a prisão em flagrante de 11 pessoas suspeitas de envolvimento direto em queimadas ilegais no interior do estado.
Conforme os registros de satélite monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas computou 8.177 focos de calor neste ano — o que representa um crescimento de 111% na comparação com o intervalo entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2025 (embora o número atual permaneça 49% abaixo da média histórica consolidada). Em toda a extensão do bioma amazônico, foram contabilizados 40.633 focos até o momento em 2026, indicando elevação de 62% em relação a 2025 e 47% abaixo da média histórica.
Para vistoriar os danos e alinhar ações, uma comitiva ministerial do governo federal esteve presente na capital amazonense no domingo (18), integrada pelos ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional). A mobilização prevê que o efetivo alcance 400 brigadistas e 16 aeronaves operacionais nesta semana, buscando reverter quadros críticos em que a espessa cortina de fumaça chegou a suspender voos e decolagens de combate às chamas.



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