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São Miguel dos Campos,26/10/2026

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Netanyahu apela ao medo nuclear e sugere criptomoedas contra sanções na reta final das eleições em Israel

Premiê publicou imagem gerada por IA de ataque atômico a Tel Aviv e defendeu blockchain contra bloqueios econômicos; Banco Central e líderes da oposição reagem com duras críticas.


Netanyahu apela ao medo nuclear e sugere criptomoedas contra sanções na reta final das eleições em Israel Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa na ONU em 24 de setembro / Reuters

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

26/10/2026 11h45 · Atualizado há instantes

Na contagem regressiva para a votação que definirá o futuro político do país nesta terça-feira (27), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elevou o tom da campanha com declarações de forte apelo ao medo e propostas que geraram apreensão no cenário econômico e institucional.

Neste domingo (25), o líder do governo veiculou em suas redes sociais uma imagem criada por inteligência artificial (IA) retratando uma bomba atômica detonando sobre a cidade de Tel Aviv. Ao lado da representação gráfica, Netanyahu advertiu que o programa atômico do Irã permanece como uma “ameaça existencial real e tangível” para o Estado judeu. Para fundamentar a retórica de alerta máximo, o premiê citou o analista conservador Yuval Bloomberg: “Se duas bombas atômicas caírem no centro do país, quem vai se importar com todas essas tempestades falsas?”.

Contradições sobre o programa iraniano

A postagem despertou questionamentos imediatos devido a declarações anteriores do próprio primeiro-ministro. Ao término do conflito de 12 dias contra Teerã, em junho de 2025, Netanyahu havia afirmado publicamente que Israel havia “eliminado” de forma definitiva o risco representado pelos mísseis balísticos e pelo projeto nuclear persa, classificando o desfecho como uma conquista histórica para gerações.

Mais recentemente, em março de 2026, durante ações militares combinadas entre forças de Israel e dos Estados Unidos, ele reforçou perante a opinião pública que a República Islâmica “já não reunia condições de ameaçar a existência” israelense.

Reação enérgica dos adversários políticos

A investida eleitoral gerou forte repúdio de seus principais concorrentes nas urnas:

  • Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças de Defesa e líder do partido Yashar, condenou a peça de propaganda:

    "É mais um vídeo para assustar. O primeiro-ministro recorre à histeria, mentiras e disseminação do medo, ameaçando os cidadãos com destruição em massa após fracassar em alcançar os objetivos da guerra contra o Irã."

  • Yair Golan, dirigente da aliança progressista Democratas, apontou desespero no comitê governista:

    "O homem e seu entorno perderam o controle. A pressão está aumentando."

  • Yair Lapid, uma das principais vozes da oposição, alertou para o risco de rompimento diplomático:

    "Netanyahu perdeu completamente o rumo. Sua declaração é absurda, mas revela uma verdade: sob um novo mandato seu, a ajuda militar dos Estados Unidos será interrompida e Israel enfrentará sanções internacionais severas."

A polêmica da 'BibiCoin' e a repreensão do Banco Central

A tensão não ficou restrita ao campo militar. Em entrevista ao Channel 10, Netanyahu avaliou o impacto das crescentes sanções internacionais impostas contra colônias israelenses na Cisjordânia e afirmou que a nação precisa se estruturar para eventuais bloqueios ao sistema bancário tradicional. Como saída de contingência, o premiê sugeriu o uso de blockchain e criptomoedas, ordenando estudos técnicos para viabilizar um mecanismo de contorno a sanções financeiras.

A declaração gerou um posicionamento do Banco de Israel, que emitiu uma repreensão pública ao projeto, esclarecendo formalmente que “as criptomoedas não podem servir como meio viável de contornar sanções internacionais”.

Eisenkot ironizou a proposta apelidando o mecanismo de “BibiCoin”, classificando a postura como uma “ameaça à segurança nacional” que colocaria em xeque a estabilidade econômica das próximas gerações ao admitir o isolamento financeiro do país em vez de combatê-lo pela diplomacia.




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