Irã sinaliza avanços em negociações nucleares com EUA, mas impasse sobre mísseis balísticos continua
Diplomacia em Genebra termina com otimismo cauteloso; especialistas técnicos se reunirão na Áustria na próxima segunda-feira (2) para analisar possíveis termos de acordo.
Ahmet Serdar Eser/Anadolu via Getty Images) O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, trouxe um tom de esperança moderada ao cenário internacional nesta quinta-feira (26). Após rodadas de negociações em Genebra, na Suíça, o chanceler afirmou que houve "bom progresso" nas discussões sobre o programa nuclear iraniano e o possível levantamento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.
O encontro contou com a mediação de Omã e a participação estratégica de Rafael Grossi, presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Embora Araghchi tenha destacado uma "maior seriedade" de ambos os lados em comparação a encontros anteriores, o caminho para a paz definitiva ainda enfrenta obstáculos significativos.
Apesar dos avanços na área nuclear, o governo de Donald Trump mantém uma exigência que tem travado o desfecho das conversas: o controle do programa de mísseis balísticos do Irã.
A Visão dos EUA: Washington acredita que a tecnologia iraniana está perto de alcançar capacidade intercontinental, o que representaria uma ameaça direta ao território norte-americano.
Pressão de Israel: A demanda ganhou força após uma reunião entre Trump e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que vê os mísseis como uma ameaça existencial a Israel.
A Defesa do Irã: Teerã nega possuir mísseis com capacidade de longo alcance e resiste a incluir seu programa de defesa convencional nas negociações nucleares.
O diálogo técnico continuará na próxima segunda-feira (2), na sede da AIEA, em Viena, na Áustria. O objetivo é refinar os detalhes técnicos que permitam um monitoramento eficaz das atividades nucleares iranianas.
Enquanto a diplomacia tenta encontrar uma saída, o cenário no Oriente Médio permanece explosivo. Navios de guerra e caças dos EUA continuam posicionados na região, reforçando a postura de "pressão máxima" adotada por Trump, que já ameaçou ataques diretos caso um acordo satisfatório não seja alcançado nos termos americanos.



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