Flávio Dino pede vista e STF suspende julgamento sobre separação de análises de Moraes e Mendonça
Placar estava em 4 a 3 a favor da posição do presidente Edson Fachin para manter processos desmembrados; pedido de vista ocorreu após debate acalorado entre ministros no Plenário.
Ministro Edson Fachin, presidente do STF | Foto: Rosinei Coutinho/STF Por Portal AlagoasNT TV — Brasília (DF)
16/09/2026 09h20 Atualizado há 1 minuto
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) teve o julgamento suspenso na tarde desta terça-feira (15 de Setembro) após o ministro Flávio Dino alterar seu posicionamento inicial e apresentar um pedido de vista. A sessão extraordinária analisava a questão de ordem suscitada pelo ministro Gilmar Mendes, que defendia o julgamento conjunto das condutas dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no âmbito dos relatórios da Operação Compliance Zero, referente ao Banco Master.
Até o momento do pedido de interrupção, o placar marcava 4 votos a 3 pela manutenção da separação dos processos, acompanhando o entendimento formulado pelo presidente da Corte e relator do feito, ministro Edson Fachin.
Votação Plenária e Posição do Presidente
O presidente Edson Fachin abriu a votação rejeitando a questão de ordem de Gilmar Mendes. Fachin defendeu a manutenção do desmembramento dos procedimentos e rechaçou a redistribuição do relatório referente a Alexandre de Moraes, mantendo a relatoria sob a responsabilidade de seu gabinete:
"Quero me manifestar no sentido de manter a separação entre os julgamentos... e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental", declarou Fachin.
A tese do presidente foi acompanhada integralmente pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Mendonça sustentou que não há simetria fática entre as situações, classificando os documentos levantados contra a sua conduta como frutos de monitoramento ilegal e sem valor probatório.
Divergência, Bate-Boca e Pedido de Vista
A divergência foi aberta pelo ministro Gilmar Mendes, acompanhado inicialmente pelos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, e posteriormente pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. A corrente divergente argumentava que a análise separada poderia gerar decisões contraditórias e tumulto processual. Zanin defendeu ainda que Mendonça não deveria votar no relatório referente a Moraes.
Contudo, após um intenso debate no Plenário entre Gilmar Mendes e André Mendonça, o ministro Flávio Dino recuou de seu voto convergente com Gilmar e formalizou o pedido de vista, paralisando a deliberação.
Entenda a Crise Institucional no STF
A tensão no Supremo escalou após o ministro André Mendonça, então relator das investigações do caso Banco Master, retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal. Um dos documentos cita o registro de 52 mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de menções a encontros e a um contrato no valor de R$ 130 milhões envolvendo o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Moraes acusou o colega de liberação seletiva de provas, ao passo que Mendonça rebateu afirmando ter mantido sob sigilo apenas dados estritamente necessários para o prosseguimento das diligências. Com a interrupção por vista, a análise do caso que envolve Moraes permanece suspensa, enquanto a pauta referente às acusações contra Mendonça segue marcada para o dia 23 de setembro.
O Portal AlagoasNT TV e a rede NT Sport TV acompanham os desdobramentos da crise no Poder Judiciário.



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