Morre o cantor Netinho, ícone do axé e voz do clássico 'Mila', aos 60 anos em Salvador
Artista enfrentava um câncer no sistema linfático desde 2025 e estava internado no Hospital Aliança Star; trajetória foi marcada pelo sucesso da Banda Beijo, carreira solo e superações de saúde.
Por Portal Alagoas NTTV
13/10/2026 11h02 · Atualizado há alguns minutos
O cantor Netinho, um dos nomes mais emblemáticos e populares da história do axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O artista estava internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, em tratamento contra um linfoma não-Hodgkin (câncer que atinge o sistema linfático).
O diagnóstico inicial da doença ocorreu em 22 de março de 2025, após o músico dar entrada na unidade de saúde com queixas de fortes dores nas pernas e nas costas. Desde então, Netinho compartilhava com os seguidores nas redes sociais as etapas do tratamento oncológico. O quadro de saúde voltou a se agravar nas últimas semanas, exigindo nova hospitalização.
Da MPB ao estrelato com a Banda Beijo
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos de idade. Ganhou o primeiro violão da mãe aos 14 e, aos 16, ingressou na faculdade de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal). Durante a rotina universitária, começou a cantar bossa nova e MPB em barzinhos da capital baiana.
Sua consagração nacional começou em 1988, quando estreou nos vocais da Banda Beijo no Carnaval de Salvador. No mesmo ano, a faixa "Beijo na Boca" explodiu nas rádios de todo o país, seguida por outros grandes sucessos carnavalescos como "Estrela Primeira", "Barracos" e "A Vida É Festa".
Explosão com 'Mila' e carreira solo
Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo e, três anos depois, lançou em 1996 a canção "Mila", que se transformou em um dos maiores hinos do axé e da música popular brasileira nos anos 1990. A faixa impulsionou turnês internacionais e apresentações do cantor na Itália, no Chile e em diversos países, ampliando as fronteiras do gênero baiano no exterior.
No ramo empresarial, Netinho investiu na indústria fonográfica ao inaugurar um moderno complexo de estúdios de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, atendendo nomes de peso como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz, além de manter um selo voltado a impulsionar novos talentos da música baiana.
Na vida pessoal, foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, união da qual nasceu sua filha, Bruna Trindade.
Superações e vida pública
A trajetória de Netinho também foi pautada por momentos de superação física. Em 2013, o cantor enfrentou três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) graves que comprometeram suas cordas vocais, deixando-o quatro anos afastado dos trios elétricos do Carnaval de Salvador até reconquistar a voz.
Em 2010, tornou pública sua bissexualidade, tema que tratava com discrição em entrevistas. Nos últimos anos, participou do cenário político ao concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PL em 2022, na Bahia, obtendo 31 mil votos e figurando como suplente.
Informações sobre o velório e o sepultamento do artista ainda serão divulgadas pela família e pela assessoria do cantor em Salvador.



COMENTÁRIOS