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Onda de protestos contra custo de vida, cortes e crise imobiliária se alastra por capitais e cidades europeias

Lideradas por estudantes e trabalhadores, mobilizações atingem França, Espanha, Bélgica, Itália, Portugal e Albânia. Em Madri, primeiro-ministro convoca eleições antecipadas após caso de despejo; dados do Eurostat apontam salto de 34% nos alimentos em cin


Onda de protestos contra custo de vida, cortes e crise imobiliária se alastra por capitais e cidades europeias Manifestantes em Paris, na França, em 17 de outubro de 2026/ Getty Imagens

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

20/10/2026 10h30 · Atualizado há alguns minutos

Uma intensa onda de protestos populares tomou as ruas de diversos países da Europa nas últimas semanas, expondo o profundo desgaste social provocado pela disparada do custo de vida, deterioração de serviços públicos básicos, déficit habitacional e aumentos expressivos nos orçamentos de defesa. O movimento ganha tração sobretudo entre os jovens, que manifestam a percepção generalizada de que terão um padrão de vida inferior ao das gerações passadas.

A série de atos teve como estopim as mobilizações estudantis na região metropolitana de Paris, em 17 de setembro, quando secundaristas e universitários protestaram contra a falta de professores, a precariedade estrutural dos prédios escolares e as barreiras de acesso ao ensino superior. O movimento rapidamente ganhou adesão de centrais sindicais, categorias trabalhistas e aposentados, em reação ao plano de ajuste fiscal de aproximadamente 54 bilhões de euros elaborado pelo governo francês para 2027, que combina corte de investimentos sociais e reformas tributárias.

Crise de moradia derruba governo na Espanha e leva barracas ao Rossio em Lisboa

Na Espanha, a revolta popular explodiu após a repercussão do caso de Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada em setembro do apartamento onde morou por mais de sete décadas em Madri, após o aluguel saltar 275% (de 440 para 1.650 euros). A idosa faleceu em 7 de outubro, duas semanas após o despejo, tornando-se o símbolo da grave crise imobiliária no país. O primeiro-ministro Pedro Sánchez tentou aprovar um pacote de controle de preços de aluguéis, mas, diante da rejeição no Parlamento, dissolveu o Congresso e convocou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro de 2026.

Cenário semelhante marca Portugal, onde centenas de manifestantes, em sua maioria jovens, montaram barracas na emblemática Praça do Rossio, no coração de Lisboa. Conforme dados oficiais, os preços dos imóveis no mercado português subiram cerca de 124% entre 2015 e 2024, dificultando a emancipação das novas gerações e a subsistência de famílias de baixa e média renda.

Confrontos e reivindicações na Bélgica, Itália e Albânia

  • Bélgica: Em Bruxelas e Liège, atos liderados por estudantes contra reformas educacionais e o aumento de taxas acadêmicas resultaram em confrontos com as forças policiais, que recorreram ao emprego de gás lacrimogêneo e canhões de água.

  • Itália: Milhares de manifestantes ocuparam vias públicas em Roma, Milão, Florença, Bolonha, Gênova e Turim, protestando contra os salários defasados, o sucateamento do ensino público e as diretrizes econômicas da primeira-ministra Giorgia Meloni.

  • Albânia: Os atos contra a precarização do ensino superior e o desemprego escalaram em Tirana para exigências de renúncia imediata do primeiro-ministro Edi Rama, em meio a acusações de corrupção e descontentamento com megaempreendimentos imobiliários de luxo no litoral.

Dilema fiscal, risco geopolítico e pressões demográficas

Indicadores do Eurostat (gabinete de estatísticas da União Europeia) demonstram que os preços dos alimentos e bebidas não alcoólicas no bloco comunitário acumulam alta de 34% entre agosto de 2021 e agosto de 2026, estrangulando o orçamento doméstico.

Analistas internacionais apontam que os governos europeus vivem um dilema sem precedentes: precisam conter os déficits públicos e atender às demandas sociais nas ruas, ao mesmo tempo em que são pressionados a elevar os orçamentos de defesa para conter ameaças externas, como o conflito com a Rússia. A incapacidade de respostas rápidas pelas vias parlamentares tradicionais tem impulsionado legendas antissistema e acirrado disputas ideológicas em torno da imigração e do envelhecimento populacional em todo o continente.




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