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Greve de caminhoneiros paralisa o sul da Itália e provoca desabastecimento em supermercados da Sicília

Bloqueios em rodovias e portos deixam prateleiras vazias em Palermo e filas em postos de combustíveis. Governo de Giorgia Meloni promete pacote de 150 milhões de euros para a categoria e prepara endurecimento policial após confrontos no norte do país.


Greve de caminhoneiros paralisa o sul da Itália e provoca desabastecimento em supermercados da Sicília Protesto de caminhoneiros italianos causa escassez em supermercados na Sicília/ Reuters

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

20/10/2026 10h40 · Atualizado há alguns minutos

A crise socioeconômica e a escalada da inflação na Europa atingiram em cheio o abastecimento alimentar no sul da Itália nesta terça-feira (20). Consumidores que foram às compras em Palermo e em diversas comunas da Sicília se depararam com gôndolas e prateleiras completamente vazias, caixas desprovidos de mercadorias e longas filas de veículos em postos de combustíveis.

O cenário é reflexo direto de uma forte paralisação promovida pelo setor de transporte rodoviário de cargas, deflagrada na última semana. Motoristas e cooperativas de caminhoneiros montaram piquetes e bloquearam rodovias estratégicas, entroncamentos viários e áreas portuárias essenciais para a chegada de insumos à ilha e a regiões vizinhas do sul italiano.

A categoria protesta contra a disparada descontrolada nos preços do óleo diesel, a tributação pesada e os elevados custos operacionais de frete. Vincenzo Aleccia, presidente do Consórcio de Caminhoneiros de Trapani, justificou a dimensão do ato:

"Há um enorme transtorno, mas é um protesto pacífico e visa o bem-estar da população. Os custos com diesel e frete que somos obrigados a arcar hoje são custos que, eventualmente, chegam às prateleiras dos supermercados. Pessoas comuns, como todos nós, vão às compras e simplesmente não têm mais condições de fazê-lo. Essa é a realidade da situação", pontuou a liderança.

Promessa de recursos e tensão política

Buscando conter o desabastecimento generalizado, o vice-ministro da Infraestrutura, Edoardo Rixi, reuniu-se em caráter de urgência com dirigentes do transporte de cargas e anunciou que o governo italiano disponibilizará em breve um pacote de socorro superior a 150 milhões de euros para mitigar os impactos da alta dos combustíveis sobre os trabalhadores rodoviários.

Apesar da sinalização de auxílio financeiro, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni mantém postura rígida e prepara medidas de repressão policial, pressionado pelos tumultos e atos violentos registrados nos últimos dias em grandes centros urbanos do país, que vêm se somando à onda continental de protestos.

Confrontos, saques e detenções no norte da Itália

No último fim de semana, o clima de revolta contra a deterioração das condições de vida e o sucateamento dos serviços públicos resultou em batalhas campais entre manifestantes e as forças de segurança pública no norte italiano.

Em Milão, a polícia antimotim precisou disparar bombas de gás lacrimogêneo neste domingo (18) após centenas de manifestantes encapuzados depredarem vitrines comerciais, saquearem estabelecimentos e incendiarem barricadas de lixo nas imediações da tradicional Piazza Duomo. De acordo com fontes policiais, mais de 60 pessoas foram conduzidas a delegacias na capital financeira da Itália.

Ao todo, outros 28 manifestantes já haviam sido detidos no sábado (17) em choques semelhantes registrados em cidades como Bolonha, Bréscia, Bérgamo e Turim. O cenário reforça a instabilidade vivida em bloco por nações vizinhas, a exemplo da França, onde centenas de milhares de pessoas tomaram as avenidas nos protestos mais contundentes e violentos dos últimos anos contra os cortes de gastos sociais e a perda de renda da população trabalhadora.




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