Moradores do Povoado Coité de Baixo protestam contra desabastecimento diário e cobram concessionária Águas do Sertão, em São Miguel dos Campos
Comunidade relata torneiras secas durante o dia, água chegando apenas de madrugada em pouca quantidade e faturas que chegam a quase R$ 500; moradores precisam recorrer a bicas para cozinhar e tomar banho.
Comunidade relata torneiras secas durante o dia, água chegando apenas de madrugada em pouca quantidade e faturas que chegam a quase R$ 500/ NTTV Por Redação / Portal Alagoas NTTV
04/11/2026 12h00 · Atualizado há instantes
Moradores do Povoado Coité de Baixo, na zona rural de São Miguel dos Campos, se reuniram na manhã desta quarta-feira (4) para protestar contra a constante falta de água que atinge a comunidade
A equipe de reportagem do repórter Emerson Tiago, acompanhado pelo cinegrafista Lalinho, esteve no local e ouviu as queixas e desabafos dos moradores
"Se não fosse a bica, o pessoal morria de sede", diz morador com 30 anos no povoado
Um dos primeiros a se manifestar foi o morador Geraldo da Macaxeira, que reside há três décadas no Coité de Baixo e apontou que o problema se agravou após a mudança na gestão do saneamento

"Estou com uns 30 anos [morando aqui]
. Depois que chegou essa Água do Sertão, essa desgraça depois que chegou, destruiu o povo, destruiu tudo! Não chega água de jeito nenhum . A água chega mijando, às vezes de noite . 11 horas da noite, chega mijando . Se não fosse as levadas de minação, o pessoal que mora aqui morria de sede . A sorte é a bica . Tem uma bica ali que eu vivo ajeitando ela direto para não morrer de sede, e o pessoal lavando roupa", declarou Geraldo .
Faturas altas e revolta com a cobrança
A moradora Maria Francisca dos Santos relatou indignação ao mostrar a disparidade entre o serviço prestado e o valor cobrado
"Na minha casa, só eu e meu marido. Meu marido viaja, chega de 8 em 8 dias
. Está chegando R$ 192 de água! Todo dia faltando . Depois que entrou essa maldita Água do Sertão aqui no Coité, em São Miguel dos Campos, a gente está sem água, coisa que nunca aconteceu . Isso é um absurdo! Essa Águas do Sertão está roubando a gente e não dá água . Agora, todo mês chega o talão . Não pague para você ver! Dois meses já de R$ 192 . Quando eu morava na outra casa, veio trezentos e pouco reais, tive que parcelar sem usar essa água toda . É todo dia, só chega 11 horas da noite . Isso é uma vergonha!", desabafou a moradora .
Dificuldades para idosos, pessoas acamadas e com deficiência
A escassez atinge de forma ainda mais severa famílias que cuidam de idosos e pessoas com problemas de saúde
"Ele tem 80 anos, ele é amputado de uma perna e não tem água de jeito nenhum
. Eu tenho que acordar de madrugada para encher os baldes . Eu encho as garrafas de 2 litros, encho os baldes, dois baldes bem grandões . Agora, eles [funcionários da empresa] passam de instante em instante para lá e para cá e não resolvem nada . Só botam piada para as pessoas . Fica no meio do mato e sem resolver nada . A gente podia pagar só uma taxa, já que falta água direto ", afirmou .
Dona Maria Cícera, de 72 anos, também falou sobre as dificuldades físicas de ter que esperar água no período noturno
"Já tenho 72 anos para me levantar de noite para apanhar água para poder ter água dentro de casa
", relatou a aposentada .
Fatura de R$ 480 e banho na bica
Outro morador, identificado como Fábio, residente na casa nº 124, denunciou que o boleto cobrado em sua residência chegou a quase quinhentos reais
"Eu moro ali na casa 124
. A minha mãe tem 79 anos . Falta água, quando vem chegar é 11 horas da noite . Não tem condição de uma água dessa estar faltando na popularidade, que todo mundo precisa de água para tomar banho, se alimentar, lavar roupa, lavar um prato . Minha mãe com a idade daquela e a gente sem condição, o talão está vindo R$ 480! Agora, de quê? Sem usar água, sem nada! ", questionou Fábio .
A jovem Pietra contou que a falta contínua de água obriga os moradores a tomarem banho e lavarem louça e roupas fora de casa
"Falta muita água
. Eu tomo banho na bica ou na cachoeira também no mato . Toda vez falta água . Aí eu tomo banho na bica, lavo os pratos na bica, a roupa... Tem vez que chega de noite, muito tarde . Eu fico com uma agonia, um calor, com sede, pego água do povo para beber . E pagando água todo mês, o talão chega ", explicou .
Cobrança por explicações e providências
Um morador que preferiu não se identificar reforçou a comparação com o antigo sistema de abastecimento (SAAE) e exigiu esclarecimentos formais
"A questão é essa: a gente fica indignado por conta disso
. Quando era a água do SAAE, não tinha essa falta de água . E nós queremos uma explicação ou pelo menos uma desculpa que vocês venham dar para a gente o porquê dessa falta de água . Porque quando era o SAAE não tinha essa falta de água . Passou para essa Águas do Sertão, esculhambou tudo! E aí? Qual a explicação que você dá para a população dessa falta de água? Queremos água! Nós precisamos de água, necessitamos de água! ", cobrou .
Durante a reportagem, os moradores aplaudiram e gritaram em coro cobrando o restabelecimento do fornecimento
O repórter Emerson Tiago destacou que a reportagem do Portal Alagoas NTTV continuará acompanhando o caso e buscará um posicionamento oficial junto à concessionária Águas do Sertão, bem como junto à Prefeitura de São Miguel dos Campos e secretarias competentes, para que deem uma resposta imediata à população do Povoado Coité de Baixo




COMENTÁRIOS