Seja bem-vindo
São Miguel dos Campos,07/11/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Senado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña após escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank

Com condenação por maioria de dois terços, líder conservador perde a imunidade e passa a ser investigado criminalmente; crise racha o Partido Colorado.


Senado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña após escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank Com condenação por maioria de dois terços, líder conservador perde a imunidade e passa a ser investigado criminalmente/Pedro Ladeira/Folhapress

Por Redação / Portal Alagoas NTTV

07/11/2026 10h45 · Atualizado há instantes

O Senado do Paraguai aprovou na última sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, coroando o desfecho de um processo político tenso, marcado por intensos embates legislativos e protestos populares às portas do Congresso em Assunção. Com a decisão, que alcançou a maioria qualificada de dois terços da Casa (ao menos 30 votos), o líder conservador se torna o terceiro presidente paraguaio a deixar o cargo antes do término do mandato desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner (1954–1989).

Peña havia tomado posse em agosto de 2023 com mandato previsto até 2028, simbolizando a continuidade da hegemonia do Partido Colorado — legenda que comanda a vida política do país há quase 70 anos e cuja única interrupção histórica foi o governo do ex-bispo Fernando Lugo, também derrubado por impeachment em 2012. Com a destituição, Peña perde a imunidade presidencial e poderá responder criminalmente na Justiça.

O escândalo do Ueno Bank e a perda de apoio político

A queda repentina de Peña foi precipitada por uma grave crise institucional deflagrada pelo escândalo de fraudes no Ueno Bank, principal banco digital do Paraguai, que possui cerca de 2,9 milhões de clientes. O colapso da instituição financeira resultou no congelamento de depósitos e desencadeou uma onda de protestos pelo país.

As investigações apontaram conexões do ex-presidente com a holding controladora do banco, além de questionamentos sobre a nomeação — feita por Peña em 2023 — de Carlos Carvallo Spalding (então presidente-executivo da companhia) para a presidência do Banco Central do Paraguai (BCP), cargo do qual Carvallo renunciou na mesma semana. O mandatário foi acusado de omissão na fiscalização e de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, além de supostas intervenções indevidas no instituto que administra a previdência e a saúde dos trabalhadores públicos (cuja gestão envolvia cerca de R$ 4,5 bilhões em recursos).

O cenário tornou-se insustentável quando o próprio Partido Colorado retirou o apoio a Peña. A decisão de Horacio Cartes, ex-presidente e principal liderança da legenda (além de padrinho político de Peña), foi decisiva para isolar o mandatário e abrir caminho para a aprovação do julgamento político.

Tentativa de renúncia e o rito contestado

Antolhando-se à derrota iminente no Senado, Santiago Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5). Contudo, o Congresso suspendeu a análise do pedido de demissão e prosseguiu com o julgamento político.

A distinção jurídica tem impactos cruciais: caso a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia assumir o posto de senador vitalício, garantia constitucional destinada a ex-presidentes que assegura imunidade parlamentar e direito a voz nos debates. Com o impeachment formalizado, essa prerrogativa cai, abrindo caminho para investigações e processos criminais comandados pela Procuradoria-Geral.

A defesa de Peña criticou duramente a condução do processo, alegando que o prazo concedido para a apresentação da defesa (menos de 12 horas para analisar mais de 300 páginas de acusação) foi exíguo, após o Senado rejeitar um pedido de prorrogação de 72 horas. O presidente do Senado, Basilio Núñez, rebateu as críticas afirmando que o rito cumpriu estritamente o regimento interno da Casa. O episódio evocou precedentes históricos delicados no país, como o impeachment relâmpago de Fernando Lugo em 2012 (atualmente sob análise na CIDH) e a renúncia de Raúl Cubas Grau em 1999.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.