Navio canadense afundado por submarino nazista há mais de 80 anos é encontrado na costa dos EUA
Embarcação Cornwallis foi torpedeada em dezembro de 1944 no Maine; naufrágio ajudou a desvendar plano de espionagem alemã em solo norte-americano.
Embarcação Cornwallis foi torpedeada em dezembro de 1944 no Maine/ Dol Por Redação / Portal Alagoas NTTV
07/11/2026 11h30 · Atualizado há instantes
Mais de oito décadas após desaparecer nas profundezas do oceano durante a Segunda Guerra Mundial, os destroços do navio canadense Cornwallis foram finalmente localizados. A embarcação mercantil havia sido afundada por um submarino nazista em dezembro de 1944, em águas próximas ao estado do Maine, nos Estados Unidos. A descoberta histórica foi anunciada pela Equipe de Exploração Nomad, que dedicou sete anos de investigações e buscas até o desfecho bem-sucedido.
De acordo com os registros históricos, o Cornwallis havia partido de Barbados, no Caribe, no final de novembro de 1944, carregando uma valiosa carga de açúcar e melaço com destino ao porto de Saint John, no Canadá. No entanto, na manhã de 3 de dezembro daquele ano, a viagem foi tragicamente interrompida. O navio foi atingido por um torpedo lançado pelo submarino alemão U-1230, sob o comando de Hans Hilbig.
A explosão atingiu violentamente a região próxima ao porão de carga dianteiro. Embora não tenha gerado incêndio de grandes proporções, a gravidade da avaria fez com que a embarcação naufragasse em menos de dez minutos. Dos 48 tripulantes a bordo, apenas seis conseguiram escapar com vida; um deles acabou falecendo vítima de hipotermia antes de ser socorrido, enquanto os outros cinco foram resgatados por embarcações da Marinha dos Estados Unidos.
A busca tecnológica e os desafios no mar
As investigações para localizar o navio anfíbio — que possuía 122 metros de comprimento e 5.458 toneladas — começaram em 2019, mas a confirmação oficial da posição exata ocorreu somente em julho deste ano. A operação exigiu o uso de sonares de varredura lateral de alta precisão para mapear o leito oceânico. Segundo os exploradores, uma anomalia quase imperceptível registrada pelo equipamento serviu de pista definitiva até a localização dos destroços, confirmada após diversos mergulhos técnicos de inspeção.
O trabalho da equipe foi marcado por severos obstáculos ambientais, como a ausência de coordenadas precisas de época, baixas temperaturas, nevoeiros densos e correntes marítimas intensas na região de Mount Desert. Integrante da expedição, Jeff Goodreau relatou ao periódico local Portland Press Herald as dificuldades enfrentadas:
"Há marés fortes na região de Mount Desert. Muita coisa acontece no clima, muita neblina… De qualquer forma, o desafio é chegar lá, seja dirigindo por cinco horas desde Portsmouth ou transportando um barco em um reboque", explicou.
A conexão com uma rede de espiões nazistas
Além da importância arqueológica e naval, a história do naufrágio do Cornwallis cruza-se diretamente com uma das operações de inteligência mais intrigantes da Segunda Guerra em solo americano.
Quatro dias antes de atacar o navio canadense, em 29 de novembro, o mesmo submarino U-1230 havia desembarcado secretamente na costa do Maine dois agentes alemães: Erich Gimpel e William Colepaugh. A dupla tinha a missão de se infiltrar em Nova York para coletar informações estratégicas sobre operações militares dos Estados Unidos e executar possíveis sabotagens.
Após o afundamento do Cornwallis, as autoridades norte-americanas desconfiaram que a presença do submarino na costa pudesse estar associada ao desembarque de espiões, intensificando a vigilância. Moradores locais de Hancock relataram ter visto os estrangeiros, o que orientou as buscas federais.
O complô acabou ruindo em Nova York quando Colepaugh confessou a operação a um amigo, que prontamente acionou o FBI. Gimpel foi capturado logo em seguida. Ambos foram inicialmente condenados à morte, mas tiveram as penas comutadas para prisão perpétua anos depois. Curiosamente, o submarino U-1230 sobreviveu ao conflito mundial, sendo afundado pelas forças aliadas na costa do Reino Unido em dezembro de 1945.



COMENTÁRIOS