Apoiadores de Bolsonaro protestam no Rio após prisão do ex-presidente; confusão em vigília em Brasília
Manifestantes se reúnem na Barra da Tijuca, pedem soltura de 'patriotas' e criticam Lula e Moraes. Na capital federal, vigília evangélica termina em tumulto após homem discursar a favor da condenação do ex-presidente.
Apoiadores de Bolsonaro seguram faixas contra Lula e Alckmin, em ato no Rio — Foto: Ricardo Mendes Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizaram um protesto em frente à residência do político, no Rio de Janeiro, neste domingo (24), um dia após ele ter sido preso preventivamente.
Os manifestantes, vestidos majoritariamente com as cores verde, amarelo e azul, se concentraram na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, onde fica o condomínio Vivendas da Barra. Eles estenderam faixas em apoio a Bolsonaro e com críticas contundentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Por volta das 11h30, o grupo contava com cerca de 60 pessoas espalhadas pela área. As mensagens nas faixas refletiam o teor do protesto:
- "Fora Lula e Alckmin. Impeachment Alexandre de Moraes"
- "Buzine. Libertação dos patriotas presos" (em referência implícita aos detidos após os atos de janeiro de 2023)
- "Golpe é eleição sem Bolsonaro"
Vigília em Brasília termina em confusão
O protesto no Rio acontece após um episódio de tumulto em uma vigília evangélica realizada em Brasília na noite de sábado. O evento havia sido convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para orar pela liberdade e saúde do ex-presidente.
Reunindo cerca de cem pessoas em frente ao condomínio onde Bolsonaro estava em prisão domiciliar, a vigília foi encerrada após um homem que se apresentou como pastor discursar de forma contrária ao ex-presidente e a favor de sua condenação.
Ismael Lopes, de 34 anos, foi chamado ao púlpito por Flávio Bolsonaro por volta das 20h15. Ao lado do senador, Lopes leu uma passagem bíblica e, em seguida, pediu que Jair Bolsonaro fosse responsabilizado e condenado pelas ações durante a pandemia de Covid-19, que ele alegou terem levado à morte de 700 mil pessoas.
- Agressão e Intervenção da PM: Imediatamente, Lopes foi perseguido e agredido por simpatizantes de Bolsonaro. Ele recebeu socos e pontapés, tendo a camisa rasgada. A Polícia Militar (PM) precisou intervir, utilizando spray de pimenta para dispersar os agressores. Lopes foi, então, escoltado e colocado em um carro de aplicativo.
- Ato Consciente: Aos policiais, Lopes afirmou que estava ciente dos riscos de sofrer agressões e que seu ato foi consciente. O rapaz é membro da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, organização ligada a movimentos progressistas. Apesar de não ser pastor, ele disse ter se apresentado como representante de um movimento evangélico para conseguir discursar no evento.
Participaram da vigília, além de Flávio e do irmão Carlos Bolsonaro, outros parlamentares como os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Izalci Lucas (PL-DF), e os deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF).



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