"Pai, vem me buscar": Mensagem de socorro de PM morta em SP levanta suspeitas contra oficial
Caso inicialmente registrado como suicídio passa a ser investigado como morte suspeita; família denuncia histórico de violência psicológica e controle excessivo do marido, um tenente-coronel.
PM morta com tiro na cabeça pediu ajuda antes do crime. Um pedido de socorro enviado cinco dias antes de morrer reforça as dúvidas sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Santana, de 32 anos. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais", escreveu a policial em uma mensagem aos familiares. O corpo de Gisele foi encontrado com um tiro na cabeça na última quarta-feira (18), no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no bairro do Brás, em São Paulo.
Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como suicídio, as autoridades alteraram a natureza da investigação para morte suspeita após denúncias graves da família sobre o comportamento do oficial.
Parentes de Gisele descrevem uma transformação radical na vida da soldado após o casamento em 2024. A mulher, antes alegre e vaidosa, teria se tornado submissa a um regime de controle rigoroso:
Restrições: O marido teria proibido o uso de maquiagem, roupas específicas e limitado o contato dela com familiares;Depoimento da Família: "A alegria dela se apagou", desabafou uma tia. Há relatos de que a filha de Gisele, de apenas 7 anos, presenciava as agressões psicológicas.
O tenente-coronel alega que Gisele teria tirado a própria vida com a arma dele após uma discussão sobre separação. No entanto, a família contesta e apresenta pontos que intrigam os investigadores:
Inversão de Papéis: Os parentes afirmam que era Gisele quem queria o divórcio, não ele;
Ameaça em Vídeo: Dias antes, o oficial teria enviado um vídeo apontando uma arma para a própria cabeça ao saber do desejo de separação da esposa;
Cena do Crime: Causa estranheza o fato de o oficial ter sido autorizado a tomar banho logo após o ocorrido, o que pode ter eliminado vestígios de pólvora (residuográfico) em suas mãos ou corpo.
A Corregedoria da Polícia Militar e a Polícia Civil acompanham o caso para determinar se houve um feminicídio camuflado de suicídio.



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