"Senti que estava sendo soterrada": Imóveis desabam e Exército é acionado em Juiz de Fora
Chuvas persistem e agravam rastro de destruição na Zona da Mata; quase 50 mortes foram confirmadas e moradores relatam o trauma de abandonar casas e animais de estimação.
Imóveis no bairro Três Moinhos caíram após temporal na madrugada; família fala sobre dor com perdas. Reprodução O cenário em Juiz de Fora (MG) é de guerra e desolação. Após o início da semana marcar o recorde histórico de chuvas, a madrugada desta quinta-feira (26) trouxe mais 80 milímetros de precipitação, provocando o desabamento de três imóveis no bairro Três Moinhos. As casas já haviam sido evacuadas pela Defesa Civil, o que evitou uma tragédia ainda maior no local.
O número de vítimas fatais em toda a região já se aproxima de 50 pessoas, enquanto as equipes de resgate correm contra o tempo para localizar desaparecidos em meio à lama e aos escombros.
Moradores que vivem há décadas na região descrevem o desespero de deixar uma vida inteira para trás. Caetano Soldati, residente local há 40 anos, precisou abandonar sua casa após a queda de um barranco.
"Estamos morando na casa da minha neta. Graças a Deus, tiramos toda a nossa família", relatou.
Sua filha, Michele Soldati, emocionou ao descrever o trauma psicológico e a dor de não conseguir resgatar os animais de estimação:
"A gente deixou nossos bichinhos ali porque não teve lugar para ir. É um misto de dor. Eu senti que estava sendo soterrada, agarrei minha filha com um medo imenso."
A situação é tão crítica que o Exército Brasileiro foi mobilizado. Nesta quinta-feira, 100 militares e 10 caminhões chegam à cidade para auxiliar na logística de socorro e limpeza. Os bairros Vitorino, Três Moinhos, Santa Rita e Grajaú seguem com acesso restrito e sob escolta da Guarda Municipal, devido ao alto risco de novos deslizamentos em encostas.
Muitas famílias agora dependem de abrigos e aguardam a liberação de auxílio-aluguel, já que não possuem previsão — ou estrutura — para retornar aos seus lares.



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