Vaticano recusa convite de Donald Trump e não integrará o novo "Conselho da Paz"
Cardeal Pietro Parolin afirma que Santa Sé prefere manter apoio à gestão de crises via ONU; organização americana visa investir US$ 5 bilhões na reconstrução de Gaza.
Reprodução/Vaticano News A diplomacia da Santa Sé definiu sua posição diante da mais nova iniciativa internacional dos Estados Unidos. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, confirmou nesta terça-feira (17) que a Igreja Católica não fará parte do Conselho da Paz, órgão criado pelo presidente Donald Trump para mediar conflitos globais.
A decisão foi comunicada logo após uma reunião de Parolin com o presidente da Itália, Sergio Mattarella. Segundo o cardeal, a recusa se deve à "natureza particular" do Vaticano, que historicamente preza pela neutralidade e pela atuação por meio de instituições multilaterais já estabelecidas.
O Vaticano aproveitou a ocasião para reafirmar sua confiança na Organização das Nações Unidas (ONU). Parolin foi enfático ao declarar que, na visão da Santa Sé, a ONU é o fórum legítimo e competente para "gerir as situações de crise" ao redor do mundo.
Esta posição coloca o Papa Leão XIV em rota oposta à estratégia de Donald Trump, que busca, com o novo conselho, centralizar a mediação de conflitos sob a liderança de Washington.
O Conselho da Paz, lançado em janeiro, já conta com o endosso de 19 países, mas enfrenta resistência de potências europeias como Itália, França e Alemanha, que também rejeitaram o convite.
Investimento: Trump anunciou que os membros do conselho devem investir cerca de US$ 5 bilhões em um plano de reconstrução e estabilização da Faixa de Gaza.
Objetivo Político: Analistas internacionais veem o grupo como uma tentativa clara de esvaziar o poder de influência da ONU na mediação de crises globais.
O governo brasileiro, liderado pelo presidente que mantém alinhamento em diversas pautas com Trump, ainda não respondeu oficialmente ao convite para integrar o Conselho. A decisão brasileira é aguardada com expectativa, pois pode sinalizar o nível de adesão do país a essa nova ordem diplomática paralela às Nações Unidas.



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