Vitória para o Brasil: Suprema Corte dos EUA derruba "Tarifaço" de Donald Trump
Por 6 votos a 3, ministros decidiram que o presidente não tem autoridade para criar tributos sem aval do Congresso; medida beneficia exportações brasileiras de aço, veículos e químicos.
Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump. Chip Somodevilla/Getty Images A Suprema Corte dos Estados Unidos impôs uma derrota histórica à agenda econômica da Casa Branca nesta sexta-feira (20). Em uma decisão de grande impacto para o comércio global, os ministros derrubaram as chamadas "taxas recíprocas" impostas pelo presidente Donald Trump em abril de 2025.
A maioria da Corte (6 a 3) entendeu que o governo utilizou de forma indevida uma lei de emergência de 1977. Segundo os magistrados, o Poder Executivo tem autoridade para "regular" o mercado, mas não possui o poder de criar impostos, prerrogativa que pertence exclusivamente ao Congresso dos EUA.
A decisão é um alento para a economia brasileira, que vinha sendo alvo direto da política protecionista de Trump. No auge das tensões, em julho de 2025, produtos brasileiros chegaram a enfrentar uma sobretaxa de 50% (10% da tarifa global mais 40% de taxa adicional).
O governo americano justificava o "tarifaço" alegando um suposto déficit comercial com o Brasil e criticando o Judiciário brasileiro pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — que Trump classificava como "caça às bruxas".
Embora o agronegócio já tivesse conquistado exceções em novembro, setores vitais da indústria brasileira ainda estavam sufocados pela taxa de 40%. Com a queda das tarifas, os seguintes produtos recuperam competitividade no mercado americano:
Siderurgia: Aço e derivados;
Indústria Automotiva: Veículos e autopeças;
Máquinas: Implementos agrícolas;
Outros: Produtos químicos, têxteis e calçados.
A barreira comercial era usada por Trump como instrumento de pressão diplomática. Com a anulação pela Suprema Corte, o presidente perde um de seus principais pilares de negociação externa. A Casa Branca ainda não se manifestou oficialmente sobre se tentará enviar um projeto de lei ao Congresso para retomar as taxas de forma legal, mas analistas apontam que a resistência parlamentar deve ser alta.



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